'Não faço acordo com esse homem', diz Monica Iozzi sobre o ministro Gilmar Mendes, que a processou

Monica Iozzi, 35, comentou o processo que perdeu para o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, ao participar do "Conversa com Bial" exibido na Globo nesta quarta-feira (12). 

A atriz disse que se surpreendeu com o argumento do juiz Giordano Resende Costa, da Quarta Vara Cível de Brasília, e que rejeitou os acordos propostos pelo ministro durante o processo, preferindo pagar os R$ 30 mil da condenação. 

"Fui processada por um post. O ministro, não sei por que razão, deu habeas corpus pro Roger Abdelmassih, que teve mais de 40 estupros comprovados e se aproveitava de pacientes sedadas. Como mulher, isso me indignou de uma maneira... era a mesma época de dois casos de estupros coletivos. As mulheres passando por tanta coisa, meninas sendo estupradas, o ministro vai e dá habeas corpus para esse cara? Eu sou leiga, mas não entendi. Ele então me processou por calúnia e difamação", contextualizou para o público. 

"Perdi o processo, R$ 30 mil, mais as custas, deu R$ 38 mil. Acho que a repercussão foi muito negativa, no meio do processo ele propôs alguns acordos. Ele queria que eu apagasse o post que eu fiz e fizesse um novo de retratação me desculpando com a mesma visibilidade, e doasse R$ 15 mil em cestas básicas para uma instituição de caridade de Brasília. Eu li aquilo e falei: 'Não!'"

"Não sou rica, R$ 38 mil não é nem de longe pouco dinheiro para mim mas, se tem coisas que você tem certeza, vá até o fim. Eu lembro de ter uma sensação real de que não falei nada de errado." 

Ela preferiu pagar o valor. "Eu vendo meu apartamento, mas não faço acordo com esse homem. Não é justo o que ele fez. Eu tenho direito, como cidadã, de questionar sim a decisão de um ministro, que na época era presidente do Supremo." 

A atriz diz que ficou surpresa com a argumentação que a considerou culpada. "A justificava do juiz que me condenou foi a seguinte: 'Monica Iozzi, como figura pública, tem de usar sua liberdade de expressão com responsabilidade'. A palavra 'liberdade' já não deixa claro que você pode se expressar como quiser, a menos que esteja sendo preconceituoso, cometendo crime como racismo?", indagou. 
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